Tecnologia resolve processo ruim ou apenas faz o erro acontecer mais rápido?

03/10/2026

A pesquisa global State of AI 2026, da McKinsey, foi realizada entre maio e junho deste ano com 1.719 participantes em 97 países. Em setembro, a consultoria resumiu um contraste importante: 89% das organizações pesquisadas já relatavam uso regular de inteligência artificial em pelo menos uma função, mas apenas cerca de 6% estavam no grupo de alto desempenho que atribuía pelo menos 5% do EBIT ao uso de IA e classificava seu impacto como significativo. O dado não deve ser lido como retrato direto das pequenas empresas brasileiras, mas ilustra uma diferença que também aparece em negócios menores: usar tecnologia e capturar valor com ela são coisas distintas.

A tentação de começar pela ferramenta é compreensível. Surge um gargalo no atendimento e alguém procura um chatbot; a equipe perde tempo com planilhas e aparece a ideia de implantar um sistema; os gestores não têm indicadores e compram uma plataforma de BI; tarefas repetitivas se acumulam e a empresa decide automatizar. Em pouco tempo, o negócio pode ter contratado vários recursos digitais sem ter respondido uma pergunta básica: qual fluxo deveria existir antes de ser automatizado?

Quando essa pergunta não é feita, tecnologia tende a cristalizar decisões ruins. Um CRM pode organizar perfeitamente etapas comerciais que nunca foram definidas com clareza; uma automação pode distribuir dados inconsistentes em segundos; um dashboard pode exibir dezenas de indicadores que ninguém usa para decidir; um software sob medida pode reproduzir, com grande eficiência, um processo cheio de aprovações desnecessárias. A velocidade aumenta, mas a qualidade do sistema de gestão permanece igual.

É por isso que a R360 Consultoria trabalha a tecnologia a partir do desenho do negócio. Antes de escolher ferramenta, faz sentido entender processo, responsabilidade, regra de decisão, exceções, entrada e saída de informação e indicador necessário. Essa preparação não elimina a complexidade técnica, mas evita que a empresa compre uma solução para um problema que ainda não conseguiu descrever.

Quando a necessidade exige desenvolvimento, automação ou análise de dados, a HarnetCode – Soluções Inteligentes atua com softwares e aplicativos sob medida, Power BI, organização de dados e implementação de inteligência artificial em processos internos. O próprio perfil de clientes da HarnetCode dentro do Alliance inclui empresas que já tentaram usar sistemas prontos e descobriram que seus processos específicos não se adaptavam bem à ferramenta. Nesses casos, personalização pode ser adequada, desde que a especificidade seja consequência legítima do modelo de operação e não apenas uma forma de preservar hábitos que deveriam ser revistos.

Há também tecnologias especializadas que resolvem problemas delimitados. A SAT Tecnologia, por exemplo, trabalha controle de jornada com um sistema de ponto online, implantação, treinamento e suporte. É uma aplicação muito diferente de construir um software sob medida, e justamente por isso mostra como a decisão tecnológica precisa começar pela natureza da necessidade. Algumas dores pedem uma ferramenta consolidada e específica; outras exigem integração; outras justificam desenvolvimento próprio; e várias podem ser resolvidas com processo antes de qualquer contratação tecnológica.

O melhor cenário costuma combinar as duas disciplinas. A gestão descreve o que a empresa precisa controlar e por quê, enquanto o especialista técnico define como transformar isso em solução funcional, segura e sustentável. Essa conversa também ajuda a evitar customizações desnecessárias, reduzir dependência de pessoas específicas e criar indicadores que efetivamente representem o processo. A empresa deixa de pedir “um sistema que faça tudo” e passa a especificar eventos, regras e decisões que precisam ser suportados pela tecnologia.

O avanço da IA em 2026 torna essa disciplina ainda mais importante porque ficou mais fácil experimentar e automatizar. A barreira técnica para criar fluxos, analisar dados e gerar conteúdo diminuiu, mas a responsabilidade de escolher o que deve ser automatizado continua humana. Para empresas de serviço, o ganho mais consistente tende a aparecer quando tecnologia retira peso operacional de um processo compreendido, melhora visibilidade e amplia capacidade sem destruir a lógica da entrega. Quando a empresa não entende o próprio fluxo, digitalizar pode apenas tornar a confusão mais rápida, mais cara e mais difícil de desmontar.

Fontes de mercado | 2026

McKinsey, The State of AI in 2026: On the road to ROI. Pesquisa realizada de 4 de maio a 8 de junho de 2026, com 1.719 participantes de 97 países.
https://www.mckinsey.com/capabilities/quantumblack/our-insights/the-state-of-ai

McKinsey, setembro de 2026. Síntese do levantamento: 89% das organizações pesquisadas relataram uso regular de IA em pelo menos uma função; cerca de 6% foram classificadas como high performers segundo os critérios do estudo.
https://www.mckinsey.com/capabilities/strategy-and-corporate-finance/our-insights/the-ceos-singular-impact-on-the-success-or-failure-of-ai-in-organizations